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Quantas vezes você já ouviu (ou pensou): “terapia é coisa de gente fraca”, “autocuidado é frescura” ou “eu mesmo resolvo meus problemas”?

Esses mitos sobre terapia (e muitos outros) mantêm milhões de pessoas distantes do cuidado emocional que poderia transformar suas vidas. Pela ficha técnica da OMS sobre ansiedade, atualizada em 2025, só 1 em cada 4 pessoas com transtorno de ansiedade no mundo recebe algum tratamento. No Brasil, o São Paulo Megacity Mental Health Survey encontrou que apenas um terço dos casos graves havia recebido tratamento no ano anterior.

É hora de desmistificar essas crenças e entender, com base em ciência e evidências, o que é verdade e o que é preconceito quando falamos de saúde mental.

Mito 1: “Terapia é Só Para Quem Tem Problemas Graves”                                        

❌ O Mito

Muita gente acredita que psicoterapia é exclusiva para quem tem depressão severa, trauma profundo ou transtornos mentais diagnosticados.

✅ A Realidade

Terapia é para qualquer pessoa que queira se conhecer melhor e viver com mais qualidade emocional. Você não precisa estar em crise para buscar apoio psicológico.

A terapia funciona como manutenção preventiva. Assim como você faz check-ups médicos mesmo sem sintomas, o acompanhamento psicológico ajuda a:

Dados: Uma meta-análise de ensaios clínicos conduzida por Pim Cuijpers e colegas (2021) mostrou que pessoas que passam por intervenções psicológicas preventivas têm cerca de 21% menos chance de desenvolver um transtorno depressivo do que quem não passa.

5 Mitos Sobre Terapia e Autocuidado Que Você Precisa Conhecer

Mito 2: “Autocuidado é Egoísmo ou Frescura”

❌ O Mito

Existe uma crença cultural de que cuidar de si mesmo é sinal de fraqueza, preguiça ou egoísmo, especialmente para mulheres e pessoas em posições de cuidado (mães, profissionais de saúde, gestores).

✅ A Realidade

Autocuidado não é luxo, é necessidade básica. Você não consegue cuidar de outros, trabalhar bem, ou ser presente nas relações se estiver esgotado emocional e fisicamente.

O termo correto é esgotamento compassivo, quando profissionais de cuidado se esgotam por não reservarem energia para si mesmos.

Autocuidado efetivo inclui:

Analogia útil: No avião, orientam você a colocar a máscara de oxigênio primeiro em si mesmo, depois nos outros. Por quê? Porque você inconsciente não ajuda ninguém.

Mito 3: “Eu Posso Resolver Meus Problemas Sozinho”

❌ O Mito

A ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza está profundamente enraizada, especialmente na cultura brasileira do “eu me viro” e “eu aguento”.

✅ A Realidade

Força não é fazer tudo sozinho, é reconhecer quando precisa de suporte.

Todos temos pontos cegos emocionais. Quando estamos imersos em nossos problemas, perdemos a perspectiva. Um profissional de saúde mental oferece:

Comparação: Você não tentaria fazer uma cirurgia em si mesmo ou consertar um problema elétrico complexo sem conhecimento técnico. Por que trataria sua saúde mental diferente?

Mito 4: “Aplicativos e IA Substituem Terapia Presencial” 

❌ O Mito

Com o boom de apps de saúde mental e IAs conversacionais, surgiu a crença de que a tecnologia pode substituir completamente o trabalho de psicólogos e psiquiatras.

✅ A Realidade

Tecnologia é complemento, não substituto. Mas atenção: existe diferença crucial entre IAs generativas e IAs especializadas.

IAs Generativas (como ChatGPT, Gemini):

IAs Especializadas (como EITA Mentora Virtual):

A EITA Mentora Virtual, criada por Anaclaudia Zani (@anaclaudia.eita), é exemplo de IA especializada que:

O ideal: Combinar terapia presencial com ferramentas digitais de apoio entre sessões.

Mito 5: “Terapia é Cara Demais, Não Tenho Como Pagar”

❌ O Mito

A percepção de que psicoterapia é inacessível financeiramente impede muitas pessoas de sequer pesquisarem opções.

✅ A Realidade

Existem múltiplas alternativas acessíveis de cuidado em saúde mental no Brasil:

Opções gratuitas:

Opções de baixo custo:

Ferramentas digitais:

Quanto custa, afinal?

Não existe estatística oficial de preço médio de sessão no Brasil. O CFP e a Fenapsi publicam uma tabela nacional de referência de honorários, calculada pelo DIEESE, mas ela mesma deixa claro que não fixa piso nem teto: o valor é combinado entre profissional e paciente. Na prática, há desde atendimento social a preços bem baixos até consultório particular caro.

Antes de concluir que é caro demais, compare com:

Investir em saúde mental previne gastos muito maiores no futuro.

Por Que Esses Mitos Persistem?

Três fatores principais mantêm esses mitos vivos:

  1. Estigma cultural: Saúde mental ainda é tabu em muitos contextos brasileiros
  2. Desinformação: Falta educação em saúde emocional nas escolas e mídias
  3. Experiências negativas: Pessoas que tiveram maus profissionais generalizam

Como Quebrar Esses Mitos?

No nível individual:

No nível coletivo:

No ambiente corporativo:

Conclusão: Informação Liberta

Esses cinco mitos têm algo em comum: todos eles afastam pessoas do cuidado que precisam e merecem.

Quando desmistificamos essas crenças, abrimos caminho para:

Lembre-se: Cuidar da saúde mental não é fraqueza, frescura ou luxo. É autocuidado inteligente, estratégico e necessário.

Se você se identificou com algum desses mitos, considere este artigo um convite para repensar suas crenças e dar o primeiro passo rumo ao seu bem-estar emocional.

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Fontes

Anaclaudia Zani é psicóloga e neurocientista (CRP 06/128106), criadora do método EITA e da EITA Mentora Virtual.